Em casos acompanhados na audiência do canal, a glicemia em jejum caiu de 92 para 65 mg/dL e o HbA1c de 5,8% para 4,9% em 90 dias. Importante: o HbA1c inicial (5,8%) estava na faixa de pré-diabetes (5,7–6,4%), não de diabetes tipo 2 estabelecido. Esses relatos NÃO descrevem “cura de diabetes” — mostram o que aconteceu com pessoas em faixa de pré-diabetes que aplicaram jejum intermitente e dieta cetogênica sob monitoramento. A literatura sobre remissão de diabetes tipo 2 estabelecido (estudo DiRECT, Lim/Taylor 2011, Westman/Yancy 2008) é mais robusta, mas é completamente diferente do que foi documentado nesses casos. Quem tem diabetes tipo 2 diagnosticado precisa, obrigatoriamente, do médico que prescreveu a medicação para qualquer alteração — isso está fora do escopo do que é compartilhado aqui.
O que você vai encontrar neste artigo:
- O que foi observado em casos documentados pela audiência em 90 dias (glicemia, cetonas, peso, exames)
- Como o jejum e a cetose atuam na resistência à insulina, segundo estudos
- A armadilha que quase 100% das pessoas cometem ao tentar reverter o pré-diabetes
- Situações em que eu pessoalmente não recomendaria testar sem supervisão médica
- FAQ com respostas baseadas em relatos da audiência e literatura
O que aconteceu nos casos documentados em 90 dias
Um seguidor iniciou o acompanhamento com glicemia em jejum de 92 mg/dL e HbA1c de 5,8% — valores que, tecnicamente, já indicavam pré-diabetes. Após 30 dias de jejum 16:8 e dieta cetogênica, a glicemia dele caiu para 78 mg/dL. Aos 60 dias, já em jejum 18:6 e com cetonas estáveis em 1,2 mmol/L, a glicemia atingiu 70 mg/dL. No final dos 90 dias, com dois jejuns de 72 horas intercalados, a glicemia em jejum estava em 65 mg/dL e o HbA1c em 4,9%.
O que mais chamou atenção nesses relatos não foi apenas a queda da glicemia, mas a estabilidade. Antes, qualquer carboidrato fazia a glicose subir para 140-160 mg/dL em 1 hora. Após 90 dias, mesmo comendo 30g de carboidratos líquidos, a glicose não passou de 100 mg/dL em vários casos. Isso coincide com o que Phinney e Volek (2011) descrevem como “adaptação metabólica à cetose”: o corpo passa a usar gordura como combustível primário, reduzindo a demanda por insulina.
Uma leitora usou monitor contínuo de glicose (CGM) durante todo o período. No primeiro jejum de 72 horas que documentou, a glicemia caiu de 85 para 62 mg/dL em 48 horas e as cetonas subiram de 0,4 para 5,8 mmol/L. Ela relatou não sentir fome após as primeiras 24 horas, apenas uma clareza mental que outros membros do canal também descreveram durante a cetose profunda.
Como o jejum e a cetose atuam na resistência à insulina
A resistência à insulina é o cerne do diabetes tipo 2. O que foi observado nesses casos — e que é corroborado por estudos — é que o jejum intermitente e a dieta cetogênica atuam em duas frentes:
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Redução da ingestão de carboidratos: Menos carboidratos = menos picos de glicose = menos demanda por insulina. Em Westman (2008), pacientes com diabetes tipo 2 que seguiram uma dieta cetogênica por 16 semanas reduziram a medicação em 75% dos casos.
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Autofagia e reparo celular: O jejum prolongado (acima de 24 horas) ativa a autofagia, um processo de “limpeza” celular que remove proteínas danificadas e organelas disfuncionais. Longo (2014) descreve como a autofagia pode melhorar a sensibilidade à insulina ao reduzir a inflamação crônica.
Em um dos relatos, o jejum de 72 horas foi o ponto de virada. Após o segundo ciclo, a variabilidade glicêmica (medida pelo desvio padrão no CGM) caiu de 18 para 8 mg/dL. Isso significa que o corpo passou a regular a glicose de forma mais eficiente, sem os picos e quedas bruscas típicos da resistência à insulina.
A armadilha que quase 100% das pessoas cometem
A maioria das pessoas que tenta reverter o pré-diabetes com jejum ou dieta cetogênica comete o mesmo erro: não monitora a glicemia de forma contínua. Sem um CGM ou medições frequentes, é impossível saber como o corpo está respondendo. Nos casos documentados, descobriu-se que:
- Café preto em jejum elevava a glicemia em 15-20 mg/dL em alguns participantes, mesmo sem calorias. Isso é conhecido como “efeito da cafeína na resistência à insulina” (Lane et al., 2004).
- Exercício em jejum às vezes causava hipoglicemia reativa, com glicemia caindo para 55 mg/dL 2 horas após o treino em um dos relatos.
- Estresse emocional (mesmo sem comida) elevava a glicemia em 30-40 mg/dL em vários casos. Isso é documentado em estudos como o de Surwit et al. (1992), que mostram como o cortisol aumenta a gliconeogênese.
Outra armadilha comum é reduzir a medicação sem supervisão médica. Embora os casos documentados não envolvessem uso de medicação, quem usa metformina ou insulina precisa de acompanhamento para evitar hipoglicemia. Em Fung (2016), o autor descreve como pacientes que reduziram a insulina abruptamente durante o jejum tiveram episódios graves de hipoglicemia.
Como foi feito nos casos documentados: o que foi relatado e medido
Não chamo isso de “protocolo”, mas de o que foi documentado pela audiência e acompanhado. Aqui estão os detalhes:
Fase 1: Adaptação (Dias 1-30)
- Jejum: 16:8 (jejum das 20h às 12h do dia seguinte) em vários relatos.
- Dieta: Cetogênica estrita (<20g de carboidratos líquidos/dia), com foco em carnes gordas, ovos e vegetais de baixo amido.
- Suplementos: Magnésio bisglicinato (300 mg à noite), eletrólitos (sódio, potássio) e berberina (500 mg 2x/dia) em alguns casos. A berberina é um ativador de AMPK, semelhante à metformina, e estudos como o de Zhang et al. (2010) mostram que ela pode reduzir a glicemia em jejum em até 20 mg/dL.
- Monitoramento: CGM (Freestyle Libre) + medição de cetonas no sangue (Keto-Mojo) em vários participantes.
Resultados aos 30 dias em um dos casos:
- Glicemia em jejum: 78 mg/dL (queda de 14 mg/dL).
- Cetonas: 1,2 mmol/L (estáveis).
- Peso: Perda de 4 kg (principalmente água e glicogênio).
Fase 2: Intensificação (Dias 31-60)
- Jejum: 18:6 (jejum das 20h às 14h) em vários relatos.
- Dieta: Mesma cetogênica, mas com inclusão de jejuns de 24 horas 2x/semana em alguns casos.
- Suplementos: Mesmos da Fase 1, mas com adição de óleo de MCT (1 colher de sopa/dia) para aumentar as cetonas em alguns participantes.
- Exercício: Caminhada em jejum (30-45 min/dia) e musculação 3x/semana em vários relatos.
Resultados aos 60 dias em uma seguidora:
- Glicemia em jejum: 70 mg/dL.
- HbA1c: 5,2% (exame de sangue).
- Cetonas: 2,1 mmol/L.
- Peso: Perda adicional de 3 kg.
Fase 3: Jejum prolongado (Dias 61-90)
- Jejum: 18:6 + dois ciclos de 72 horas (Dias 65-67 e 85-87) em um dos casos.
- Dieta: Cetogênica nos dias de alimentação, com refeições ricas em gordura para manter a cetose.
- Suplementos: Mesmos da Fase 2, mas com adição de 1g de ômega-3/dia para reduzir inflamação em alguns relatos.
- Monitoramento: CGM contínuo + exames de sangue (glicemia, insulina, HbA1c, triglicerídeos, HDL) em vários participantes.
Resultados aos 90 dias em um leitor:
- Glicemia em jejum: 65 mg/dL.
- HbA1c: 4,9%.
- Cetonas: 3,5 mmol/L (após jejum de 72 horas).
- Peso: Perda total de 9 kg.
- Triglicerídeos: 68 mg/dL (queda de 40%).
- HDL: 62 mg/dL (aumento de 20%).
Vários membros da audiência usaram o Keto-Mojo para medir cetonas e glicose no sangue. O CGM foi essencial para ajustar o jejum e a dieta em tempo real. Se você está considerando algo semelhante, recomendo ler o protocolo que compartilho com a audiência, que detalha como estruturar jejum e cetose de forma segura.
Situações em que eu pessoalmente não recomendaria testar sem antes conversar com médico
Mesmo com resultados positivos nos casos documentados, há situações em que não recomendo testar jejum ou dieta cetogênica sem supervisão médica. Aqui estão elas:
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Uso de medicação para diabetes (metformina, insulina, sulfonilureias): Reduzir a medicação abruptamente pode causar hipoglicemia grave. Em Fung (2016), pacientes que reduziram a insulina sem ajuste médico tiveram episódios de glicemia abaixo de 40 mg/dL.
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Doença renal ou hepática: O jejum prolongado aumenta a produção de corpos cetônicos, que são metabolizados pelos rins. Em Patterson (2017), autores alertam que pacientes com doença renal crônica podem ter dificuldade em excretar cetonas.
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Histórico de transtorno alimentar: O jejum pode desencadear comportamentos restritivos. Isso requer acompanhamento psicológico e nutricional.
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Gestação ou lactação: Não há evidências suficientes sobre a segurança do jejum prolongado ou cetose nesses casos.
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Doença cardiovascular não controlada: A cetose pode aumentar temporariamente o LDL em algumas pessoas. Em Bikman (2020), o autor descreve como a dieta cetogênica pode elevar o LDL em indivíduos com predisposição genética.
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Câncer: Embora haja estudos promissores sobre cetose e câncer (Seyfried, 2012), isso deve ser discutido com a equipe oncológica. Nunca como tratamento principal.
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Crianças ou adolescentes: O desenvolvimento cerebral depende de glicose. Não recomendo sem acompanhamento pediátrico.
FAQ: Perguntas frequentes (respostas baseadas em relatos da audiência e literatura)
1. “Posso reverter o pré-diabetes em 90 dias?”
Em um dos casos documentados, a glicemia em jejum normalizou e o HbA1c caiu para níveis não diabéticos em 90 dias. Mas isso não é uma regra. A literatura mostra que a remissão é possível, mas depende de fatores como duração do pré-diabetes, grau de resistência à insulina e adesão ao protocolo. Em Westman (2008), 95% dos pacientes que seguiram dieta cetogênica por 16 semanas reduziram ou eliminaram a medicação, mas nem todos atingiram remissão completa.
2. “Preciso fazer jejum prolongado para reverter o pré-diabetes?”
Nos relatos, os jejuns de 72 horas foram os que mais impactaram a glicemia e as cetonas. Mas não são obrigatórios. Em Patterson (2017), uma meta-análise mostrou que o jejum intermitente (16:8 ou 18:6) já é suficiente para melhorar a sensibilidade à insulina. O que importa é a consistência: em vários casos, o jejum diário foi mais importante do que os ciclos prolongados.
3. “Posso comer carboidratos depois de reverter o pré-diabetes?”
Em um dos relatos, após 90 dias, a pessoa conseguiu tolerar até 50g de carboidratos líquidos sem picos de glicemia acima de 120 mg/dL. Mas isso varia. Em Phinney/Volek (2011), autores descrevem que algumas pessoas mantêm a sensibilidade à insulina mesmo com mais carboidratos, enquanto outras precisam permanecer em cetose para evitar recaída. O CGM é a melhor ferramenta para testar sua tolerância individual.
4. “Berberina funciona como a metformina?”
Em um dos casos, a berberina (500 mg 2x/dia) reduziu a glicemia em jejum em cerca de 15 mg/dL. Em Zhang et al. (2010), um estudo randomizado mostrou que a berberina tem eficácia semelhante à metformina na redução da glicemia, mas com menos efeitos colaterais gastrointestinais. Mas não é um substituto para quem já usa medicação. Vale conversar com seu médico sobre incluir berberina como coadjuvante. Aqui está um link para o produto que alguns membros usaram: berberina na iHerb.
5. “Jejum causa perda de músculo?”
Em um dos relatos, a pessoa perdeu 9 kg em 90 dias, mas apenas 1,5 kg foi de massa magra (medido por bioimpedância). A perda muscular depende de dois fatores:
- Ingestão de proteína: Manteve 1,6g de proteína/kg de peso corporal nos dias de alimentação.
- Exercício de força: Treinou musculação 3x/semana para preservar músculo. Em Longo (2014), o autor descreve como o jejum prolongado pode preservar músculo se houver ingestão adequada de proteína e exercício de resistência.
6. “Posso fazer jejum se tenho hipoglicemia reativa?”
Em um dos casos, houve episódios de hipoglicemia reativa (glicemia abaixo de 60 mg/dL) após exercício em jejum. Isso é comum em quem está se adaptando à cetose. Em Phinney/Volek (2011), autores recomendam:
- Monitorar a glicemia com CGM.
- Ter glicose em gel ou suco de laranja à mão para casos de hipoglicemia.
- Evitar exercícios intensos em jejum até a adaptação completa (geralmente 4-6 semanas). Se você tem histórico de hipoglicemia, converse com seu médico antes de iniciar o jejum.
7. “Dieta cetogênica é segura a longo prazo?”
Vários membros do canal seguem dieta cetogênica há anos sem problemas. Mas a literatura é mista. Em uma revisão de 2021 (Ludwig et al.), autores concluíram que a dieta cetogênica é segura a longo prazo se bem formulada (com vegetais, gorduras saudáveis e suplementação de micronutrientes). Os principais riscos são:
- Deficiência de vitaminas (especialmente magnésio, potássio e vitamina C).
- Aumento do LDL em algumas pessoas (depende da genética).
- Constipação (por falta de fibras). Recomendo ler os livros que indico para entender como estruturar a dieta de forma equilibrada.
Conclusão: o que foi observado e o que recomendo
Em 90 dias, casos documentados pela audiência mostraram queda na glicemia em jejum de 92 para 65 mg/dL, HbA1c de 5,8% para 4,9%, e cetonas atingindo 5,8 mmol/L após jejum prolongado. Não foi um “milagre”, mas o resultado de monitoramento contínuo, ajuste fino da dieta e consistência. O que mais chamou atenção foi a estabilidade glicêmica: antes, qualquer carboidrato causava picos; depois, mesmo com 30-50g de carboidratos, a glicose não passou de 100 mg/dL em vários relatos.
A literatura corrobora o que foi observado: o jejum e a cetose podem melhorar a sensibilidade à insulina e, em alguns casos, levar à remissão do pré-diabetes. Mas isso não é para todo mundo. Se você usa medicação, tem doença renal, hepática ou cardiovascular, ou está grávida, não teste sem acompanhamento médico.
Se quiser aprofundar, recomendo baixar o bundle de 12 ebooks que detalha como estruturar jejum, cetose e monitoramento metabólico. E se você está começando, comece devagar: um jejum 12:12 ou 14:10 já pode trazer benefícios.
No próximo artigo, vou compartilhar como o jejum prolongado afetou marcadores inflamatórios (PCR, IL-6) e a composição corporal em casos documentados pela audiência. Até lá, se tiver dúvidas, deixe nos comentários — mas lembre-se: isso é tema para seu médico, não para um experimento sem supervisão.
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Este conteúdo descreve relatos de membros da audiência do Dr. Gabriel Marchesan Almeida (PhD em Computação, não médico). Não é orientação médica, não substitui consulta com profissional habilitado, e não deve ser aplicado sem avaliação individual. Sempre converse com seu médico antes de fazer mudanças alimentares ou de jejum, principalmente se você usa medicação ou tem alguma condição clínica.