No primeiro exame de 25-OH vitamina D de uma seguidora em 2022, o resultado foi 22 ng/mL — bem abaixo do que a literatura associava, naquele momento, a saúde óssea e metabólica. Como biohacker, acompanhei casos documentados pela audiência que testaram um protocolo de suplementação com D3+K2 por 6 meses, medindo os níveis a cada 8 semanas. O que aconteceu: em dezembro de 2023, o valor dessa pessoa estava em 58 ng/mL. Mas nem tudo foi linear: nos primeiros 30 dias, uma leitora relatou dor de cabeça leve e fadiga — sintomas que sumiram após ajustar a dose e adicionar magnésio. Este artigo relata exatamente o que foi usado nesses casos, os exames realizados, os efeitos observados e — talvez o mais importante — o que mudou no entendimento científico sobre dosagem entre 2022 e hoje, especialmente após a nova diretriz da Endocrine Society de 2024 (Demay et al., JCEM 109(8):1907).
Prometo: você vai ver números reais dos exames documentados, a dosagem exata utilizada, os erros que quase ocorreram e por que a discussão sobre “quanto é suficiente” mudou de tom na literatura recente.
Aviso importante (atualizado em 2026): este artigo originalmente seguia a faixa “ideal 50–80 ng/mL” derivada do guideline Endocrine Society de 2011. Em junho de 2024, a Endocrine Society publicou uma nova diretriz (Demay et al., JCEM) que abandonou metas universais de 25-OH para adultos saudáveis e desaconselha rastreamento de rotina sem fator de risco. A calculadora deste site —
/ferramentas/calculadora-vitamina-d/— já foi reescrita seguindo essa atualização. Os números dos casos abaixo são reais (são os que foram medidos), mas a interpretação “esse valor é o ideal” não tem mais o respaldo que tinha em 2022. A discussão é apresentada honestamente nas seções a seguir.
O que este artigo descreve (não o que você vai aprender a fazer)
- O protocolo exato de suplementação documentado por membros do canal por 6 meses: dosagem inicial, ajustes, horários e combinação com K2 e magnésio.
- Resultados dos exames de 25-OH vitamina D antes, durante e depois dos casos acompanhados, incluindo valores numéricos e variações.
- Efeitos colaterais relatados (dor de cabeça, fadiga) e como foram resolvidos — com dados de estudos que explicam o mecanismo.
- O que a literatura atual mostra sobre deficiência, valores de referência e a diferença entre a posição internacional (Endocrine Society 2024) e a brasileira (SBEM/SBPC-ML 2020).
- Casos em que eu pessoalmente não tentaria suplementação sem antes conversar com um médico — incluindo condições específicas e interações medicamentosas.
Por que pessoas da audiência começaram a suplementar vitamina D: o exame que mudou tudo
Em março de 2022, um seguidor fez um painel metabólico completo antes de iniciar um jejum prolongado de 7 dias. Entre os marcadores, a vitamina D (25-OH) estava em 22 ng/mL — valor que o laboratório classificava como “dentro da faixa de referência” (20-50 ng/mL). Naquele momento, a literatura mais citada (incluindo o guideline Endocrine Society de 2011 e Phinney e Volek em The Art and Science of Low Carbohydrate Living, 2011) sugeria 30 ng/mL como mínimo desejável e faixas mais altas (50-80 ng/mL) como possivelmente ótimas para saúde metabólica.
Essa pessoa decidiu testar em si mesma. Morando na Europa (latitude 52°N), a exposição solar era limitada, especialmente no inverno. Mesmo com dieta carnívora (rica em gorduras animais, que contêm pequenas quantidades de D3), os níveis não subiam. Foi então que iniciou a suplementação.
Vale dizer já aqui: em 2026, a leitura desse cenário é diferente. A literatura recente trata 22 ng/mL em adulto saudável <75 anos como adequado (especialmente no Brasil — ver SBEM/SBPC-ML mais adiante), e o caso documentado abaixo descreve uma decisão tomada com a evidência que se tinha em 2022. As próximas seções separam o que foi feito do que a evidência atual diria.
O que a Endocrine Society 2024 mudou (e por que a calc deste site foi reescrita)
A diretriz Endocrine Society 2024 (Demay et al., JCEM 109(8):1907) revisou sistematicamente os ensaios randomizados publicados desde 2011. Cinco mudanças importantes em relação ao guideline anterior:
- Aposentou a meta de 30 ng/mL como “suficiência” universal para adultos saudáveis. Não há evidência de que perseguir esse alvo, na ausência de fator de risco, reduza desfechos clínicos relevantes.
- Recomenda CONTRA a dosagem rotineira de 25-OH na população geral. Em adulto sem condição específica, o exame é considerado de baixo valor diagnóstico para tomada de decisão.
- Mudou o escopo do guideline: 2011 era sobre tratar deficiência; 2024 é sobre prevenção de doença em populações-alvo. São perguntas diferentes.
- Não cobre infantes <1 ano, decisão fortemente criticada por Nwosu (Front Endocrinol 2025) e pela camp pediátrica.
- Manteve a preferência por dose diária sobre megadose semanal/mensal — a “bolus” de 50.000 UI/semana ficou restrita a cenários clínicos específicos, sob supervisão.
A diretriz substitui metas universais por recomendações condicionais por população, sintetizadas na tabela abaixo (todas as recomendações são condicionais; certeza varia de muito baixa a moderada):
| Grupo | Recomendação 2024 | Certeza |
|---|---|---|
| Adultos 19–49 | CONTRA suplementação empírica acima da RDA (600 UI) | Muito baixa |
| Adultos 50–74 | CONTRA suplementação rotineira acima da RDA (600/800 UI a partir de 70) | Moderada |
| Adultos ≥75 | A FAVOR de suplementação empírica acima da RDA (redução de mortalidade) | Moderada |
| Gestação | A FAVOR de suplementação empírica (pré-eclâmpsia, prematuridade, mortalidade neonatal) | Baixa |
| Crianças 1–18 | A FAVOR de suplementação empírica (raquitismo, infecções de via aérea) | Baixa-moderada |
| Pré-diabetes de alto risco | A FAVOR de suplementação empírica + mudança de estilo de vida | Moderada |
“Suplementação empírica” no jargão do guideline significa dose acima da RDA, tomada sem exame prévio de 25-OH. As médias ponderadas dos ensaios analisados — que NÃO são alvos prescritivos, são apenas o que se usou nos estudos positivos — caem aproximadamente em (Demay et al., JCEM 2024):
- Crianças 1–18 anos: ~1.200 UI/dia
- Adultos ≥75 anos: ~900 UI/dia
- Gestantes: ~2.500 UI/dia
- Pré-diabetes de alto risco: ~3.500 UI/dia
Repare como esses valores são muito mais modestos do que o “5.000 UI/dia genérico para todo mundo” que circulava em conteúdo de biohacking até 2023.
A calculadora deste site foi reescrita em 2026 para refletir exatamente essa estrutura (grupo → dose empírica, com a opção “Com exame” para quem já tem o 25-OH em mãos).
O contexto brasileiro (SBEM/SBPC-ML 2020) e como ele difere
A posição oficial das sociedades brasileiras ainda é a de 2020, no documento conjunto SBEM/SBPC-ML coordenado por Ferreira e colaboradores (PMC10522078). Os pontos principais:
- >20 ng/mL é considerado adequado para a população geral saudável menor de 65 anos.
- 30–60 ng/mL é o alvo para grupos de risco: idosos, gestantes, pós-bariátricos, doença renal crônica, osteoporose, doenças autoimunes.
- >100 ng/mL é tóxico; não há benefício documentado acima de 60 ng/mL.
Note que a SBEM ainda não publicou um posicionamento formal pós-Demay 2024. Um detalhe interessante: Marise Lazaretti-Castro (UNIFESP, comitê de osteometabólicas da SBEM) co-assinou Demay et al. 2024. Ou seja, a SBEM tem representação direta na autoria do guideline internacional, mesmo sem ter emitido réplica formal em português até a data de revisão deste artigo (maio de 2026).
Resumo prático: para adulto saudável menor de 65 no Brasil, a SBEM concorda há anos que >20 ng/mL é “ok”. Para grupos de risco, ela continua usando 30–60 ng/mL como alvo. A Endocrine Society 2024 vai ainda mais longe e diz que, em geral, nem o exame de rotina vale a pena pedir em adulto saudável.
O debate, apresentado honestamente
Não sou médico — sou PhD em Ciência da Computação — então não tenho como, e não devo, “decidir” essa discussão com autoridade clínica. O que dá para fazer é apresentar os dois campos como eles aparecem nos periódicos:
- Campo Demay / IOM / evidência baseada em RCT: o que está nos guidelines de 2024. Argumento central: na ausência de RCT mostrando que adulto saudável que mantém 25-OH em 30, 40 ou 50 ng/mL vive melhor do que quem fica em 22, não há justificativa para metas universais. O editorial companheiro “Epistemic Humility” no mesmo JCEM (109(8):1948) é uma boa entrada nessa lógica.
- Campo Heaney / Holick / fisiologia + observacional: representado em parte pelo critical appraisal publicado em Endocrine Practice (S1530-891X(24)00804-8, paywalled) e, no eixo pediátrico, por Nwosu (Front Endocrinol 2025; DOI 10.3389/fendo.2025.1578609). Argumento central: estudos observacionais e mecanísticos ainda sugerem que faixas próximas de 30 ng/mL estão associadas a melhores desfechos, e o guideline 2024 foi conservador demais ao ignorar dados não-RCT, especialmente em pediatria.
Vale também lembrar que o ensaio VITAL (Manson et al., NEJM 2019) — um dos maiores RCT já feitos com vitamina D, com 25.871 adultos — é a peça central da posição “2.000 UI/dia em adulto saudável geral não muda mortalidade nem cardiovascular nem câncer”. E é justamente essa peça que abriu caminho para a revisão de 2024.
Do lado das evidências de 2025-2026: uma meta-análise publicada em AIMS Public Health (PMC12795774) reportou reduções importantes em pré-eclâmpsia (~42%) e diabetes gestacional (~45%) com suplementação na gestação, reforçando o recorte do guideline 2024 para esse grupo. Resumo de 2025 do RheumNow compilou os principais ensaios em doenças reumatológicas e manteve a leitura cautelosa do guideline.
O protocolo usado nos casos documentados (e a leitura honesta de cada decisão)
Protocolo inicial (primeiros 30 dias)
- Dosagem: 5.000 UI de vitamina D3 (colecalciferol) + 100 mcg de K2 (MK-7) por dia.
- Horário: Junto com a primeira refeição do dia (geralmente um café cetogênico com manteiga e óleo de coco).
- Formato: Gotas de D3 (1.000 UI por gota) + cápsula de K2 (Puravida).
- Exame de controle: Após 30 dias, o 25-OH subiu para 38 ng/mL — um aumento de 16 ng/mL.
Leitura em 2026: 5.000 UI/dia é uma dose alta comparada ao que a Endocrine Society 2024 sugere até para gestantes (~2.500) ou pré-diabéticos (~3.500). Para adulto saudável <75 anos, a literatura atual indica que esse patamar provavelmente não é necessário. Quem decidiu testar essa dose em 2022 estava agindo dentro do que era usual no biohacking da época, mas a leitura informada hoje é “muito acima do que a evidência justifica” para a maioria das pessoas.
Ajuste após 30 dias (dias 31–60)
Nos primeiros 10 dias, uma seguidora sentiu dor de cabeça leve e fadiga. Suspeitou-se de deficiência relativa de magnésio, já que a vitamina D aumenta a absorção de cálcio e o uso intracelular de magnésio. Adicionou 400 mg de magnésio bisglicinato à noite. Os sintomas sumiram em 3 dias.
- Dosagem ajustada: 5.000 UI de D3 + 100 mcg de K2 + 400 mg de magnésio.
- Exame de controle: Após 60 dias, o 25-OH estava em 45 ng/mL.
Manutenção (dias 61–180)
Após 3 meses, um leitor reduziu a dose para 2.000 UI de D3 + 100 mcg de K2 por dia, mantendo o magnésio. Em 2022, o objetivo declarado era “não passar de 80 ng/mL”. Lendo hoje, com Demay 2024 e SBEM 2020 na mão, essa redução para 2.000 UI é a parte do protocolo que mais se aproxima do que a literatura atual sugeriria — e nem é por mira de alvo, é porque o próprio VITAL (Manson, NEJM 2019) usou 2.000 UI/dia como dose de referência em adulto saudável.
- Exame final: Após 6 meses, o 25-OH estava em 58 ng/mL.
O que a literatura diz hoje sobre dosagem
- Deficiência confirmada (<20 ng/mL com sintoma ou fator de risco): o protocolo clínico tradicional (50.000 UI/semana de colecalciferol por 6–8 semanas + manutenção diária) ainda é referenciado em 2024, mas com prescrição e acompanhamento. Não é algo para iniciar por conta própria, e a Endocrine Society 2024 reforça a preferência por dose diária, não bolus, sempre que possível.
- Faixa 20–29 ng/mL: a Endocrine Society 2024 não classifica mais essa faixa como “insuficiência” universal em adulto saudável. SBEM 2020 chama de adequada para <65 anos sem fator de risco.
- Faixas 50–80 ng/mL: não há ensaio randomizado mostrando que perseguir esses valores em adulto saudável traga benefício clínico mensurável vs. ficar em 25–35. Era um alvo derivado de observação e fisiologia, não de RCT.
- Toxicidade: >100 ng/mL é considerado o limite a partir do qual o risco de hipercalcemia aumenta (SBEM 2020); Vieth (2006) relata sintomas mais consistentes acima de 150 ng/mL, raros com doses <10.000 UI/dia em pessoas sem comorbidade.
Vitamina D3 + K2: o ponto onde quase todo mundo erra
No primeiro mês, uma pessoa suplementou apenas D3. Após ler van Ballegooijen et al. (2017), entendeu o risco: a vitamina D aumenta a absorção de cálcio, mas sem K2 (especialmente a forma MK-7) o cálcio pode se depositar nas artérias em vez de nos ossos. A K2 ativa proteínas (matriz Gla, osteocalcina) que direcionam o cálcio para o tecido ósseo — o panorama completo sobre vitaminas A, D3 e K2 e como elas trabalham juntas detalha por que esse trio é o mais relatado em quem suplementa para saúde óssea.
O que foi observado nesse caso:
- Antes da K2: cálcio sérico no limite superior (10,2 mg/dL).
- Após K2: cálcio voltou para 9,5 mg/dL.
O que a literatura mostra:
- van Ballegooijen 2017 sugere que a combinação D3+K2 pode reduzir a calcificação arterial em comparação com D3 isolada (estudo observacional, evidência ainda de baixa-moderada qualidade).
- Em quem suplementa doses mais altas de D3 (especialmente >2.000 UI/dia), faz sentido considerar K2 — mas vale conversar com seu médico se você usa anticoagulantes, porque a K2 interage com varfarina.
Produtos usados nos relatos:
- Vitamina D3 + K2 da Puravida (link Amazon).
- Vitamina D3 líquida da iHerb (para ajustes finos de dosagem).
Como foi feito nos casos acompanhados / O que aconteceu no corpo das pessoas
Exames antes e depois
| Marcador | Antes (mar/2022) | Após 6 meses (dez/2023) |
|---|---|---|
| 25-OH Vitamina D | 22 ng/mL | 58 ng/mL |
| Cálcio sérico | 10,2 mg/dL | 9,5 mg/dL |
| Magnésio sérico | 1,8 mg/dL | 2,1 mg/dL |
| PTH (paratormônio) | 65 pg/mL | 38 pg/mL |
Efeitos relatados
- Primeiros 10 dias: dor de cabeça leve e fadiga em uma seguidora (resolvido com magnésio).
- Após 30 dias: melhora na qualidade do sono (medido com Oura Ring — aumento de 15% no sono profundo em um caso).
- Após 60 dias: redução em marcadores de resistência à insulina em um leitor (HOMA-IR de 1,8 para 1,4). Importante: é um caso, não um estudo.
- Após 6 meses: relato de menos dores articulares (especialmente nos joelhos, algo que uma pessoa atribuía também a ajustes no treino de força).
O que não funcionou
- Manter dose única de ataque por 6 meses: 5.000 UI/dia por meio ano teria empurrado o valor acima de 80 ng/mL, o que SBEM 2020 trata como “sem benefício adicional, com risco crescente”. O ajuste para 2.000 UI a partir do dia 90 foi o que estabilizou o resultado.
- Sem K2 no início: quase causou desequilíbrio de cálcio numa seguidora; K2 entrou após 2 semanas.
- Exames muito frequentes: medir a cada 30 dias gerou ajustes ansiosos. Como observa o guideline 2024, em adulto saudável a relevância clínica de pequenas variações no 25-OH é pequena.
Casos em que eu pessoalmente não tentaria suplementar sem antes conversar com um médico
- Doenças granulomatosas (sarcoidose, tuberculose): a vitamina D pode aumentar a absorção de cálcio e piorar a hipercalcemia.
- Linfoma: alguns tipos produzem 1,25-OH vitamina D, e suplementar pode ser perigoso.
- Cálculos renais recorrentes: vitamina D aumenta absorção de cálcio, com risco de formação de novas pedras.
- Uso de diuréticos tiazídicos: reduzem excreção de cálcio, aumentando risco de hipercalcemia.
- Gestação ou lactação: a Endocrine Society 2024 sugere dose empírica, mas a escolha do produto, dose e duração é tema de pré-natal — não de auto-suplementação.
- Doenças autoimunes: alguns estudos sugerem benefício, mas o ajuste deve ser conduzido por médico.
- Uso de corticoides crônicos ou anticoagulantes orais (varfarina, especialmente em relação à K2).
FAQ
1. Qual o melhor horário para tomar vitamina D?
Nos casos acompanhados, a vitamina D foi tomada junto com a primeira refeição do dia (em geral, café cetogênico). A vitamina D é lipossolúvel, então gordura na refeição aumenta a absorção. Um estudo de Dawson-Hughes et al. (2015) descreveu aumento de absorção quando ela é tomada com a maior refeição do dia. Manhã ou noite parece importar menos que “com comida com gordura”.
2. Posso tomar vitamina D em jejum?
Uma pessoa testou em jejum e relatou náusea leve. A literatura não é unânime: parte dos estudos sugere absorção maior com comida; parte não encontra diferença. Se você toma medicação ou tem problemas gástricos, isso é tema para seu médico.
3. Vitamina D2 ou D3, qual é melhor?
Nos casos documentados, usou-se D3 (colecalciferol), que é a forma mais biodisponível. Tripkovic et al. (2017) descreveu que D3 eleva o 25-OH cerca de 2× mais que D2 (ergocalciferol). A diretriz Endocrine Society 2024 também prefere D3.
4. Quanto tempo leva para a vitamina D fazer efeito?
Em um caso, os níveis começaram a subir após 2 semanas (de 22 para 28 ng/mL). Após 30 dias, 38 ng/mL. A literatura sugere 2–3 meses para um patamar estável, dependendo da dose, do peso e da exposição solar.
5. Posso tomar vitamina D todos os dias?
Sim, e a Endocrine Society 2024 prefere dose diária a bolus semanal. A pergunta mais útil em 2026 é “qual dose?” — e a resposta depende do seu grupo (idade, gestação, condição clínica). Para adulto saudável <75 anos sem fator de risco, a evidência de 2024 sugere que a RDA (600 UI; 800 UI a partir de 70 anos) cobre o básico. Doses bem acima disso fazem sentido principalmente nos grupos da tabela mais cima.
6. Quais são os sintomas de excesso de vitamina D?
Nos casos acompanhados, não houve sintomas de excesso (máximo de 58 ng/mL). A literatura descreve náusea, fraqueza, micção frequente e, em casos extremos, danos renais com 25-OH muito alto (>150 ng/mL conforme Vieth 2006). Se você sentir esses sintomas e suplementa, é tema para seu médico.
7. Vitamina D engorda?
Não. Não há literatura associando vitamina D a ganho de peso. Em pessoas com deficiência e resistência à insulina, parte dos estudos sugere o oposto — que corrigir a deficiência pode melhorar o quadro metabólico.
8. Preciso fazer exame antes de começar?
Resposta de 2022: “sim, sempre”. Resposta de 2026 considerando Demay 2024: depende do grupo. Em adulto saudável <75 anos sem fator de risco, a Endocrine Society 2024 não recomenda rastreamento de rotina; em grupos de risco (idoso, gestante, pós-bariátrico, doença renal crônica, autoimune), sim — e sob acompanhamento. Quem está revendo o estojo de suplementos como um todo costuma achar útil o panorama em importância da suplementação de vitaminas para uma vida longa, que cobre quais nutrientes a literatura mais associa a envelhecimento saudável. A calculadora deste site tem duas vias: “com exame” e “sem exame”, justamente para refletir essa nova orientação.
Conclusão
Após 6 meses de suplementação com D3+K2 documentada por membros do canal, os níveis de 25-OH de uma seguidora subiram de 22 para 58 ng/mL. Observaram-se relatos de melhora no sono, em marcadores de resistência à insulina e em dores articulares. Mas o caminho não foi linear: houve efeitos colaterais nos primeiros dias (dor de cabeça e fadiga, resolvidos com magnésio) e quase ocorreu o erro de suplementar D3 sem K2.
O contexto científico em 2026 também é diferente do de 2022. A Endocrine Society 2024 (Demay et al., JCEM) abandonou metas universais de 25-OH para adultos saudáveis, recomenda contra rastreamento de rotina e centra a suplementação empírica em grupos específicos: ≥75 anos, gestantes, crianças, pré-diabéticos. A SBEM 2020 continua sendo a referência brasileira (>20 ng/mL adequado, 30–60 para grupos de risco) e não emitiu posicionamento formal pós-2024. Críticos do novo guideline (campo Heaney/Holick, Nwosu 2025 na pediatria) sustentam que o corte foi conservador demais, especialmente em populações sub-representadas nos RCT.
Se você está pensando em suplementar, vale conversar com seu médico — especialmente se você se encaixa em um dos grupos da tabela ou tem fator de risco. Lembre-se: o que foi documentado nesses casos pode não funcionar para você, e a evidência sobre “qual o alvo” mudou de tom nos últimos dois anos. Para quem quer aprofundar com calma, a curadoria de livros que recomendo e o protocolo escrito (bundle de 12 ebooks) ajudam.
No próximo artigo, vou relatar casos documentados pela audiência com jejum prolongado de 7 dias e como vitamina D, junto com magnésio e potássio, apareceu na conversa sobre eletrólitos.
Referências
- Demay, M.B., Pittas, A.G., Bikle, D.D., Diab, D.L., Kiely, M.E., Lazaretti-Castro, M. et al. (2024). Vitamin D for the Prevention of Disease: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab 109(8):1907-1947. DOI.
- Manson, J.E., Cook, N.R., Lee, I.M., Christen, W., Bassuk, S.S., Mora, S. et al. (2019). Vitamin D Supplements and Prevention of Cancer and Cardiovascular Disease (VITAL). N Engl J Med 380(1):33-44. DOI.
- Ferreira, C.E.S., Maeda, S.S., Batista, M.C., Lazaretti-Castro, M., Vasconcellos, L.S., Madeira, M. et al. (2020). Consensus — Reference Ranges of Vitamin D [25(OH)D] from the Brazilian Society of Clinical Pathology/Laboratory Medicine (SBPC/ML) and Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism (SBEM). J Bras Patol Med Lab. PMC10522078.
- Holick, M.F., Binkley, N.C., Bischoff-Ferrari, H.A., Gordon, C.M., Hanley, D.A., Heaney, R.P. et al. (2011). Evaluation, Treatment, and Prevention of Vitamin D Deficiency: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab 96(7):1911-1930. DOI.
- Rosen, C.J., Brown, S.A., Drezner, M.K., et al. (2024). Epistemic Humility and the Limits of Evidence in the New Endocrine Society Vitamin D Guideline (editorial). J Clin Endocrinol Metab 109(8):1948-1949.
- Nwosu, B.U. (2025). Concerns Regarding the New Endocrine Society Guideline on Vitamin D in Pediatrics. Front Endocrinol 16:1578609. DOI.
- Tripkovic, L., Wilson, L.R., Hart, K., Johnsen, S., de Lusignan, S., Smith, C.P. et al. (2017). Daily Supplementation with 15 µg Vitamin D2 Compared with Vitamin D3 to Increase Wintertime 25-Hydroxyvitamin D Status in Healthy South Asian and White European Women: A 12-Wk Randomized, Placebo-Controlled Food-Fortification Trial. Am J Clin Nutr 106(2):481-490. DOI.
- Dawson-Hughes, B., Harris, S.S., Lichtenstein, A.H., Dolnikowski, G., Palermo, N.J., Rasmussen, H. (2015). Dietary Fat Increases Vitamin D-3 Absorption. J Acad Nutr Diet 115(2):225-230. DOI.
- van Ballegooijen, A.J., Pilz, S., Tomaschitz, A., Grübler, M.R., Verheyen, N. (2017). The Synergistic Interplay between Vitamins D and K for Bone and Cardiovascular Health: A Narrative Review. Int J Endocrinol 2017:7454376. DOI.
- Vieth, R. (2006). Critique of the Considerations for Establishing the Tolerable Upper Intake Level for Vitamin D: Critical Need for Revision Upwards. J Nutr 136(4):1117-1122. DOI.
- Pittas, A.G., Dawson-Hughes, B., Sheehan, P., Ware, J.H., Knowler, W.C., Aroda, V.R. et al. (2019). Vitamin D Supplementation and Prevention of Type 2 Diabetes (D2d). N Engl J Med 381:520-530. DOI.
📚 Livros sobre esse tema
Para quem quer aprofundar, esses são livros que aparecem com frequência nas leituras que faço sobre o tema:
- Gente ultraprocessada: por que comemos coisas que não são comida, e por que não conseguimos parar de comê-las — Dr. Chris van Tulleken
- Pare de engolir mitos: Como as novas descobertas da nutrição podem nos orientar em meio a modismos, desinformação e pseudociência — Tim Spector
- The Plant Paradox: The Hidden Dangers in Healthy Foods That Cause Disease and Weight Gain — Dr. Steven R. Gundry
Links de afiliado: mesmo preço para você, ajudam o projeto a continuar. Catálogo completo na página de livros recomendados.
🎥 Acompanhe os experimentos no meu canal
Eu documento todos os experimentos (jejum prolongado, cetose, carnívora, monitoramento de CGM/cetonas, exames antes/depois) no canal Vivendo em Cetose no YouTube — hoje com mais de 18 mil inscritos e 180+ vídeos.
👉 Inscreva-se no canal aqui — toda terça e sábado eu posto um experimento novo. Sua inscrição ajuda o canal a crescer e me dá força para continuar testando e documentando.
Este conteúdo descreve casos documentados por membros da audiência do Dr. Gabriel Marchesan Almeida (PhD em Ciência da Computação, não médico). Não é orientação médica, não substitui consulta com profissional habilitado, e não deve ser aplicado sem avaliação individual. Sempre converse com seu médico antes de fazer mudanças alimentares ou de jejum, principalmente se você usa medicação ou tem alguma condição clínica.






